ARTIGOS 

Cultura política e educação cívica: a confiança política a partir da experiência do Parlamento Jovem

Revista Brasileira de Pesquisas de Marketing, Opinião e Mídia, v.4, n.2, 2011

A construção, manutenção e transformação da opinião pública estão associadas à socialização política. Diferentes formas de compreender, avaliar e confiar nos atores e instituições públicas são formadas a partir de distintos contextos e processos de socialização. Nossa pesquisa busca contribuir com esse tema por meio da investigação de uma atividade promovida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG): o Parlamento Jovem (PJ). Ao longo de um semestre, alunos do ensino médio de Belo Horizonte desenvolvem uma série de atividades concentrada em três etapas – formação, capacitação e participação – para, no final, reunirem-se no Plenário da ALMG para a apreciação e votação de um documento com proposições de ações para o poder público sobre a temática escolhida para aquela edição do projeto. O Parlamento Jovem nos dá a oportunidade de avançar nos estudos de socialização política em três direções: (1) Quais condições importam na opinião dos estudantes frente à ALMG? (2) Quais mudanças de opinião podem ser observadas nos participantes? (3) Se existentes, quais fatores estão vinculados a essa transformação? Nossas análises serão feitas a partir de um survey de 2008. Trata-se de um estudo quase experimental com pré-teste, pós-teste e grupo de controle. [artigo]

Trust and Political Information: Attitudinal Change in Participants in the Youth Parliament in Brazil

(Com Mario Fuks)

Brazilian Political Science Review, v.7, n.1, 2012

This article analyses the impact of socializing experiences on the political attitudes of youngsters. More specifically, our goal is to evaluate the impact of the Youth Parliament program on youngsters’ confidence levels in the Minas Gerais State Assembly (MGSA). The analysis focuses on the cognitive foundations of attitudes and results show a substantial increase in confidence levels in MGSA, an increase associated with the acquisition of information on the institution. It is asserted that the increase in confidence in MGSA represents and attitudinal “gain”. The study design involves quasi-experimental research on a non-random sample. We conducted two rounds of interviews in 2008, prior and subsequent to the program, with 335 participants (167 in the treatment group; and 168 in the control group). [artigo]

O impacto do Parlamento Jovem sobre a confiança dos jovens mineiros

(Com Guilherme Gonçalves)

Cadernos da Escola do Legislativo, v.15, n.24, 2013

O Parlamento Jovem (PJ) é um projeto de educação cívica realizado em Minas Gerais, elaborado e implementado por meio de parceria entre a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Ele foi criado com o intuito de fornecer aos alunos participantes uma oportunidade de participação direta no Parlamento mineiro. O Parlamento Jovem busca estimular a formação política dos jovens, conduzi-los a um exercício de participação democrática nas questões relevantes para a comunidade e propiciar um espaço para vivência em um ambiente político. Este artigo propõe uma avaliação do impacto do projeto sobre a confiança de seus participantes em três instituições – Congresso Nacional (CN), ALMG e Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). Foi utilizado um banco de dados elaborado em 2008, sob a coordenação do Prof. Dr. Mario Fuks, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (DCP/UFMG). A avaliação será feita sob a ótica de um estudo quase experimental, com informações coletadas antes e depois da participação dos jovens no PJ e com grupos de controle e tratamento. Por meio de análise multivariada, constatou-se que, após a realização do projeto, os alunos do grupo de tratamento passaram a confiar mais nas instituições, principalmente na ALMG, em relação aos alunos do grupo de controle. [artigo] [Códigos]

Qualificando a adesão à democracia: quão democráticos são os democratas brasileiros?

Revista Brasileira de Ciência Política, v.1, n.19, 2016

O presente artigo busca qualificar a adesão à democracia no Brasil. Ele parte da ideia de que a adesão à democracia é mais bem entendida de um ponto de vista multidimensional. Os indivíduos podem aderir a diferentes princípios subjacentes à democracia, em vez de optarem pela simples adesão ou não a ela. Nosso enfoque são os democratas: queremos saber quão democráticos são os democratas brasileiros. Utilizamos aqui o banco de dados Barômetro das Américas de 2006 a 2012. Os resultados mostram que existem diferentes níveis de adesão à democracia, conforme o princípio democrático em questão. Os brasileiros aderem com maior intensidade à dimensão participativa, em detrimento da procedimental e da representativa. Mostramos, no entanto, que esses princípios podem caminhar de forma mais ou menos independente. [artigo]

Quando confiar é bom? Repensando a confiança e a desconfiança política no Brasil

(Com Mario Fuks)

Latin American Research Review, v.51, n.2, 2016

O presente artigo busca responder a seguinte questão: quando confiar é bom? Diversas pesquisas têm se debruçado sobre o fenômeno da desconfiança, estudando suas causas e efeitos para o regime democrático. Porém, pouca coisa foi explorada em relação ao fenômeno contrário, o da confiança. Nosso argumento é que confiar é bom quando duas condições são satisfeitas: a existência de um contexto institucional que justifique a confiança e um ambiente informacional adequado. Para justificá-lo, utilizamos dados de uma pesquisa sobre um projeto de socialização política no Brasil, o Parlamento Jovem. Trata-se de um quase experimento, com pré-teste, pós-teste e grupo de controle, realizado em Minas Gerais em 2008. A conclusão é que mediante um intenso fluxo informacional, os participantes do projeto adquiriram maior conhecimento a respeito do processo de desenvolvimento institucional da Assembleia Legislativa Mineira, passando, então, a confiar mais nela. Mediante esse quadro, pode-se dizer que confiar é bom. [artigo] [Códigos]

Vencedores e perdedores nas eleições presidenciais de 2014: o efeito da derrota nas urnas sobre a satisfação e o apoio em relação à democracia no Brasil

(Com Maria do Socorro Braga)

Opinião Pública, v.22, n.3, 2016

Nas últimas duas décadas do século passado a democracia estabeleceu-se como regime hegemônico em várias partes do mundo. Teoricamente, essas democracias funcionam segundo preceitos constitucionais originados de consenso normativo resultante de negociação entre forças políticas que legitimam, assim, o processo de escolha de governantes. Ou seja, deve haver consenso mínimo sobre as regras subjacentes à escolha dos governantes e, posteriormente, adesão aos resultados de todos os atores envolvidos. Consequentemente, um importante sinal do quão legítima é a democracia de um país é o comportamento dos seus perdedores. Diante desse princípio democrático, este artigo parte de duas questões, tendo a democracia brasileira como estudo de caso. A primeira busca responder se a derrota nas urnas em 2014 afetou os graus de satisfação e de apoio dos perdedores em relação à democracia brasileira. Ou seja, perder as eleições fez com que os eleitores derrotados extrapolassem a crítica ao governo eleito, alcançando o próprio regime democrático e, portanto, as “regras do jogo”? Já a segunda indagação, de cunho mais explicativo, procura identificar quais condições são capazes de intensificar as características que podem aumentar ou diminuir o gap entre vencedores e perdedores no que se refere ao apoio ao regime democrático. A principal conclusão é a de que os perdedores das eleições são mais insatisfeitos com o desempenho da democracia do que os vitoriosos, porém não existem diferenças no que tange à adesão à democracia. Esse resultado ocorre mesmo quando controlado por diferentes características demográficas, sociais e individuais, entre elas a avaliação do governo Dilma Rousseff e a rejeição ao PT. [artigo] [Códigos]

Are dissatisfied democrats critical? Reevaluating the concept of the critical citizen

(Com Mario Fuks e Mateus Araújo)

Opinião Pública, v.23, n.2, 2017

Several studies have used the terms “critical citizen” and “dissatisfied democrat” interchangeably, assuming that both address the same citizen profile. However, recent studies conducted in new democracies have questioned this assumption, arguing that those who are dissatisfied are not always critical. This article investigates this question based on a comparison of the United States and Brazil. Beginning with the classification of two types of citizens, “dissatisfied democrats” and “critical democrats”, we appraise whether dissatisfied democrats are critical. Then, we test which of these two types of citizens is more engaged and has attitudes that are more democratic. The results show that dissatisfied democrats are not necessarily critical and that critical democrats are more engaged in politics and more committed to democracy than non-critical democrats. [artigo] [Códigos]